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sábado, 15 de dezembro de 2012

00:50


perfume atrás da orelha / vestido bem vestido/ um sorriso no rosto

um punhado de amigos/ que é pra,/ se acaso eu te encontrar um dia,
tu ver como eu ainda tô bonita

ou mais
ainda mais ainda


Como em um filme de romance, (ou drama), ela esta parada para o tempo, diante daquela janela de um ônibus qualquer, com destino indefinido. A chuva, protagonista principal do presente momento, toma total atenção dessa menina, que parada em seu próprio tempo não se encontra tão perto assim. Fones de ouvido aumentam o volume gradativamente até o momento em que seu celular, como se pudesse cuidar ou se importar, alarma e avisa-lhe que exposições duradouras de tamanho volume podem ser prejudiciais aos ouvidos, o que não prende a atenção ao menos breve dela, que o ignora como uma criança ouvindo o famoso "não faça isso, menino" de sua mãe no segundo que esta prestes a fazer sem pensar demais.  A chuva que parece prender sua atenção esta longe de seus olhos, por mais que esses olhos de jabuticaba estejam perdidos nela, sim, infinitamente perdidos; ao mesmo tempo que procuram algo entre as gotas que caem em ritmo constante,  eles não estão lá. Nesse exato momento em que as gotas que pareciam apostar corrida na janela daquele ônibus se encontram, sem uma sintonia gigantesca seus olhos se encontram nos dois mundos: No seu, onde ela misturava porções de pequenos acontecimentos e estreitos pensamentos, com o real onde ao encontro das duas gotas que chegam agora a sua linha de chegada sem um resultado final, um barulho além de seus fones, cantorias e assobios despertava-lhe para o tão indesejável e indefinido destino... a vida adulta. 


ou mais
ainda mais bonita.




E sem perceber, aquela passagem se foi e agora é hora dela descer desse ônibus e seguir em frente.


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