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domingo, 17 de fevereiro de 2013

23:08 de um horário novo, com cara de 00:08

Outra carta de desabafo. 

Querido (a),

Diferente das outras vezes, dessa vez eu não tenho em mente quem você seja, não por falta de pensar e sim por falta de alguém que de fato entenderá o desespero expressado pela palavras que virão a seguir sem me falar: "Vai ficar tudo bem" ou então debochar e lembrar o quão posso ser fútil por fazer "tempestade em copo d'água" comparado as dificuldades da vida adulta que outras pessoas estão enfrentando, olhando por outros lados, talvez seja realmente fútil, ou não. De fato, eu não vejo hoje contar meus problemas e mostrar o qual complicados eles são, NÃO, eu venho apenas desabafar, ser ouvida e quem sabe, (por mais surreal) receber um abraço apertado e uma compreensão, mesmo que superficial.

Venho por meio desta expressar sentimentos randômicos que nos últimos dias fazem filas para me acompanhar e diferente de um bilhete de apenas ida, parecem ter passagens infinitas na catraca da minha vida nessa ultima semana; Não venho lhe trazer drama, não venho me fazer de coitada, não, quero que seja apenas desatado esse nó que esta presso a dias em minha garganta e que aperta cada desaforo que ouço e cada lagrima que derrubo.
A palavra mais utilizada por mim essa semana talvez tenha sido saudade. Estranho, pois grande parte das coisas que costumo sentir saudade, quando eu as tinha eu simplesmente ignorava. Talvez seja esse o ponto, seja essa coisa de destino e essa seja a hora de dar o valor a aquelas coisas que jamais voltarão. Mas, por mais que muitas vezes eu a diga, digite, pense ou baboseie de maneira em vão, tem uma delas que dói, dói como jamais imaginei que doeria. Essa saudade faz eu ouvir a voz perdida em ondas sonoras de um programa qualquer, ver vultos criamos por minha cabeça no corredor, latidos de felicidade do cachorro que agora chora por não ve-la mais. Dói por cada dia que ela esteve aqui sofrendo sem compreensão e por todos os outros que ela dizia o meu nome esperando entrar por aquela porta de hospital e eu não estava lá, dói por lembrar seu rosto angelical antes de eu lhe dizer seu ultimo adeus, que infelizmente ela não pode escutar. Porém, querido, essa saudade não podemos sanar, mas seu sorriso espalhado pelos retratos em cada comodo dessa casa de lembranças, me faz acreditar que ela esta lá ao lado de quem já se foi a anos sorrindo e olhando por cada um de nós aqui.
Diferente da saudade, um desses ocupadores da minha fila é o desespero. Um desespero diferente que não me lembro de ter visto em outros anos, diferente ao ponto de me levar a sua colega agonia, um casal tão traiçoeiro que chegam de repente fazendo qualquer música preferida parecer infinita. Esse de quem já tentei eliminar seus motivos de me acompanhar, torna a voltar para mostrar que a sua causa é bem diferente do que eu posso imaginar. Desse casal, eu desisti a um tempo.
Em seguida vem a tal da solidão, não essa palavra pesada, que o seu significado ao pé da letra é o de estar isolado do mundo. Não é essa que me acompanha, é aquela que de mãos dadas com o maldito medo olha cada foto de meu passado e presente, e teima em me chatear, fazendo uma historia completa de minhas amizades que já possuem seu começo e meio, mas eles criam um fim, e esses fins estão muitos mais próximos do que deviam ao ver deles. Eu tento fugir.
De uma hora para outra eles costumam se juntar e me atormentar de uma vez só, ou então esperam eu esquecer que estiveram ao meu lado, como uma breve trégua, mas que logo acaba e começa então tudo de novo.
Sei que parece loucura, muita dessas coisas eu jamais conseguirei lhe explicar corretamente, nem a mim, nem a ninguém  Também não venho lhe pedir ajuda, pois sei que são semanas assim que muitas vezes nós dão um rumo a seguir ou fazem nosso caminho mudar totalmente. Eu só espero que isso não passe de uma semana.
Desde já tenho que lhe agradecer por cada minuto perdido ao ler, mas sei que cada palavra lida, cada pergunta feita a si mesmo será um alivio imenso a mim, pois assim saberei que esse desabafo tomou seu devido caminho. Sei também que cada conclusão tomada sobre esse assunto ai em sua mente, positiva ou não, estará desfazendo uma volta nesse enorme e apertado nó que estacionou em minha garganta.
Obrigada, obrigada por "ouvir", por ler mais um desses momentos em que não sei o que fazer. Obrigada.

Quem assim comece então o ano de 2013, já que todo carnaval tem seu fim.

Um Abraço, 

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